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DOS ESTADOS UNIDOS - Estudantes universitários à descoberta da Terceira

Publicado na Sábado, dia 20 de Junho de 2009, em Actualidade
 

São 12 jovens estudantes da Universidade da Carolina do Norte (UCN), nos Estados Unidos da América (EUA), os quais estão a cumprir estágio em organizações públicas na ilha Terceira, no âmbito do Projecto Atlantis (PA). Esta iniciativa, que conta com a segunda edição, nasceu no outro lado do Atlântico mas o seu mentor é de origem açoriana.    

 

Em conversa com “a União”, João Toste revela das ambições em fazer crescer esse programa académico.

Foi criado em 2007 e trouxe este Verão aos Açores, mais propriamente à ilha Terceira, mais seis jovens estudantes da UCN do que o do ano passado, com o objectivo de cumprir um estágio num período de sete semanas. Distribuem-se por quatro áreas de trabalho – educação, saúde, serviço social e serviço autárquico –, participando em paralelo em eventos culturais, conversas informais e apresentações com figuras locais de relevante interesse.

“O modelo do programa sofreu algumas modificações em relação ao ano anterior. Seleccionámos mais alunos mas com a mesma ideia de os jovens conhecerem a dinâmica da ilha, a sua sociedade e cultura”, revela o responsável pelo PA.

Esta parceria entre os dois pontos geográficos, separados pelo oceano Atlântico, no entender de João Toste, desenvolveu-se de forma “bastante fácil”. No entanto, afirma, existe vontade em criar condições para uma maior aproximação entre aquela instituição académica e as entidades oficiais dos Açores.

 “A ideia foi bem recebida. Mas achamos ser essencial uma cooperação mais profunda entre ambos. Não propriamente em termos financeiros mas no sentido deste projecto ver assegurado a sua representação nos Açores, através de um órgão do Governo Regional”, sustenta o jovem.

Questionado sobre a possibilidade de os estudantes açorianos participarem em estágios na UCN, num programa de intercâmbio, Toste adianta que “a ideia não está colocada de parte”. “Agora estamos empenhados em melhorar o trabalho que permite a vinda dos alunos dos EUA para os Açores, mas, sem dúvida, temos essa vontade”.

O responsável pelo PA confirma igual interesse da organização em alargar os estágios a empresas privadas e, possivelmente, dependendo da logística, a outras ilhas dos Açores.

“Os estágios, apesar de não remunerados, facilitam imenso a aquisição de experiências, e, assim, os alunos conseguem ter um olhar sobre o local que à partida transcende a um turista comum”, refere o finalista em Economia, sublinhando que não são requisitos de selecção falar Português e ter ligação familiar aos Açores.

“Para mim revelou-se mais ambicioso ir cursar numa Universidade nos EUA”, resume sobre a sua motivação em deixar a ilha Terceira para ingressar num curso superior no estrangeiro. Uma adaptação facilitada pelas ligações familiares em terras americanas.  

Para Toste o regresso aos Açores será uma de muitas possibilidades existentes a nível pessoal e profissional. “Mesmo que isso não aconteça pretendo manter a minha ligação à região. E o PA irá garantir esse laço afectivo”, remata.

 

Hospitalidade no topo

 

As opiniões são unânimes. O grupo de estudantes da Carolina do Norte salienta a hospitalidade do povo terceirense e a vida em comunidade. Do quotidiano aos eventos culturais, estes jovens estrangeiros, que já estiveram em estágio noutros países da Europa, garantem nunca ter conhecido um lugar tão agradável onde as pessoas abrem as portas das suas casas a ‘estranhos’, em convite para um momento de convívio.

“Somos convidados por toda a gente para passear ou jantar. Na hora do adeus será difícil deixar para trás tantos amigos e conhecidos”, confessa a líder do grupo, Courtney Patrício.

A única descendente de açorianos, emigrados de São Miguel, e pela primeira vez na ilha Terceira, a trabalhar na área da Educação, mostra-se “surpreendida” com a qualidade dos estabelecimentos escolares e a quantidade de actividades desportivas, culturais e pedagógicas acessíveis aos alunos. “Estou a trabalhar numa grande escola e em escolas primárias mais pequenas, localizadas nas freguesias. São experiências diferentes que estou a gostar imenso de viver”, revela a jovem alternadamente em português e inglês.

David Jaramillo, a prestar serviço autárquico, preferiu falar somente em português, com pronúncia em espanhol. Esteve o ano passado em estágio em Barcelona, Espanha, o qual lhe facilitou o conhecimento da Língua de Cervantes. “São semelhantes. Eu gosto de falar português e este estágio dá-me oportunidade para praticar o idioma”, sustenta o jovem, filho de pai natural do Equador, salientando o apoio dos colegas e o bom ambiente no local de trabalho.  

Das atracções locais, o estudante diz apreciar as tradicionais touradas à corda – e faz questão de usar uma t-shirt com referência à festa brava. “A festa é bonita mas mais bonito é o convívio que se gera à volta dessa manifestação cultural”.

Já Courtney Patrício destaca as belezas naturais da ilha e a tradicional Alcatra como “prato delicioso da cozinha local”, provado por todos pela primeira vez.

Fazem parte ainda do grupo de estudantes da UCN, Abby Furr, Amanda Karam, Ana Maria Dumitru, Andy Hrnicek, Eric Wall, Kevin Schroeder, Kim Vuong, Yuen Ho, Sarah Turner, e Suzanne Michalak. Ficaram alojados na residência universitária em Angra do Heroísmo, e durante a estadia criaram o blog http://uncatlantisproject.blogspot.com/ para relatar as suas experiências individuais.

 

 

 

Sónia Bettencourt

sonia@auniao.com

 

 

 

 

        

  

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