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Um presidente regional, dois presidentes locais

Publicado na Sexta-Feira, dia 16 de Outubro de 2009, por Renato Moura
Terminaram, por ora, as eleições.
O PSD acentuou a tendência de descida nacional, também ao nível das autarquias locais.
Nos Açores, o PSD, sempre maioritário nas autarquias, afundou-se agora numa derrota pesadíssima: de uma maioria de 11-8 nas câmaras, passou para uma minoria de 7-12!
Provou-se que, mesmo antes de a lei impedir que alguns autarcas se perpetuem no poder, o povo, nalguns concelhos, já sabe e tem coragem para penalizar maiorias que se tornaram ineficazes, se instalaram ou viciaram. Houve quem vencesse por mérito, mas ainda resistiram alguns presidentes de câmaras – do PSD e do PS – que não ficaram por grande talento, mas por parecerem os menos maus perante alternativas que não souberam impor-se. E continuam a pesar nas vitórias as manobras baixas.
Na noite do triunfo, Carlos César fez um discurso sereno e brilhante. Soube enaltecer todos os que concorreram pelos diferentes partidos. Foi magnânimo para com todos aqueles que não venceram. Não caiu na tentação fácil de embandeirar em arco, com a retumbante vitória que o seu partido obteve, reservando uma pequena parte das suas palavras para o elogio socialista. Pareceu – talvez como nunca antes – um Presidente dos Açores.
Onde se colocaram os outros presidentes?
Berta Cabral, que ainda é – e por eleição recente – Presidente do PSD nos Açores, quase dedicou todo o seu discurso sobre os resultados à vitória, agora menor que antes, na Câmara de Ponta Delgada, tentando, em vão, transfigurá-la na vitória de todo o PSD Açores. O insólito está no facto de ela não ter assumido a sua quota-parte de responsabilidade, como presidente do PSD, no desastre eleitoral, de não ter querido ser solidária com os que perderam, de quase ter esquecido os que ainda ganharam e ao invés ter procurado atribuir a outros todas as responsabilidades pela derrota. 

 

Artur Lima, que açambarca cinco lugares de presidência no CDS-PP Açores, nomeadamente o de Presidente do Partido, da Comissão Política Regional, da Comissão Directiva Regional, do Grupo Parlamentar na Assembleia Legislativa e da Comissão Política da Ilha Terceira, também terminou a noite eleitoral louvando-se a si próprio, pela eleição como vereador da Câmara de Angra (um lugar dos sete em disputa, apesar de ali ter apostado tudo, sonhando com uma presidência à custa das supostas fragilidades da concorrência). Ensaiou convencer os distraídos de que obtivera um triunfo em toda a Região, o que, no mínimo, é indecente. O CDS-PP fica com 36% dos seus eleitos em Angra e na Terceira são 45% do total dos Açores, mas mesmo lá, em assembleias de freguesia, o partido só elegeu em algumas e nessas um só elemento. A nível regional perdeu a Junta de Freguesia que há muito detinha nas Flores, ilha onde tem um deputado, onde já antes estivera à beira de eleger outros e de ganhar uma câmara e agora, não obstante a manifesta fraqueza do PSD, nem um vereador elegeu! O CDS-PP já nem concorreu no Corvo, onde chegou a ter uma Câmara e a eleger um deputado. No Faial, onde há uns anos elegeu para a assembleia municipal e tinha membros nas assembleias de freguesia, agora apenas concorreu à Câmara, ficando por um resultado de 1,2%! Falar de sucesso regional, é querer enganar os eleitores.
Dificilmente, a partir daquele dia, as estruturas locais, os militantes e os simpatizantes do PSD e do CDS-PP poderão ver, como líderes regionais, pessoas que cada vez mais se confinam à dimensão de presidentes locais, cuja vistas e responsabilidade nem sequer abarcam as respectivas ilhas e muito menos os Açores.
Berta Cabral fugiu da realidade. Artur Lima tentou inventar uma realidade virtual. Ambos imparam com vitórias concelhias e alcandoraram Carlos César a único líder regional.
 
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