Carlos César revelou, na semana finda, que a decisão sobre a construção do cais de cruzeiros de Angra do Heroísmo está tomada e não será sujeita a alteração.
César especificou que a opção é feita pelo ajustamento de um cais de cruzeiros à baía de Angra do Heroísmo, sobretudo na perspectiva da sua comunicação e proximidade com a malha urbana, como, aliás, tem sido característica das infra-estruturas deste tipo construídas, em Ponta Delgada, e em fase de execução, na Horta.
Não obstante o pedido de um estudo de viabilidade económica por parte do Conselho de Ilha, nem é necessário possuir um por cento das capacidades do bruxo espanhol que quer tramar a carreira de Cristiano Ronaldo para perceber que a obra, mais cedo ou mais tarde, avançará sem que os terceirenses e as pretensões da Praia da Vitória sejam tidas ou achadas para o assunto.
Em termos práticos, a intenção do líder do executivo é criar, na cidade Património Mundial, uma espécie de “Portas do Mar”.
Nem se perdeu tempo a discutir pormenores técnicos, como também aconteceu para justificar a existência do verdadeiro aborto que é a marina angrense, sendo que, na altura, o argumento mais ouvido foi que “Ponta Delgada já tem uma e Angra também merece”.
E assim foi. A marina lá deu cabo irremediavelmente da outrora deslumbrante baía de Angra, mesmo depois da Praia da Vitória (que até fica a uns escassos 22 km…), ter acabado de inaugurar estrutura semelhante.
Em paralelo, procedeu-se às obras de requalificação e transformação do Porto das Pipas de porto comercial em porto de recreio náutico, abrindo-se espaço para a animação nocturna onde o número de apreensões policiais rivaliza com o de cervejas vendidas.
Ainda sem sair da baía angrense, mas já debaixo de água, é suposto existir, conforme foi anunciado, o primeiro parque subaquático do pais, com visitas guiadas ao “Lidador” e ao”Cemitério das Âncoras”, no palco de infindáveis naufrágios na altura que Portugal era bússola do mundo.
Mas como a cavalo dado não se olha aos dentes, o melhor mesmo é pensar que, num futuro próximo, o cais de Angra do Heroísmo irá receber com uma frequência alucinante navios de cruzeiro.
Os turistas serão aos magotes, os esgotos libertarão cheiros a fazer lembrar os melhores perfumes franceses e o comércio local facturará de tal forma que o próximo jackpot de Euromilhões parece coisa de pedintes.
Só espero é que depois de tanta obra, o Monte Brasil não seja obrigado a arredar-se um bocadinho mais para o lado…
João Rocha
jrocha@auniao.com
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