Depois do Funchal, que foi a maior Diocese do Mundo e que teve um dos seus Bispos, o mariense, D. Luís de Figueiredo, Angra fez-se cidade para sede da criada Diocese, com o título do Salvador, pelo Papa Paulo III, a 3 de Novembro de 1534, através da Bula Aequum reputamus.
Curioso é ter sido o seu primeiro Bispo, D. Agostinho Ribeiro, que fora antes o primeiro pároco da mais pequena Ilha dos Açores, o Corvo, a quem se havia dedicado e defendido junto dos poderes centrais, muito embora não lhe tenham manifestado gratidão alguma, como é frequente acontecer, até mesmo em relação a Cristo, nos relatos dos Evangelhos.
A Diocese está a comemorar os seus 475 anos de existência, tendo ao longo deste tempo tido 38 Bispos e passado por muitas tempestades, terramotos, vulcões e maresias de que a “barca de Pedro”, por vezes acossada, pelos piratas argelinos e turcos, corsários ingleses e calvinistas holandeses, que fizeram pilhagens e mártires no mar e em terra.
Passou pela ocupação espanhola, pela Restauração, e pelas lutas liberais, com guerrilhas à mistura e a República, que já vai na terceira edição. A emigração para os Brasis, Havai, América do Norte, Canadá e Bermudas, onde muitas das tradições religiosas populares, se fazem sentir, sobretudo, nas Festejas do Divino Espírito Santo e do Santo Cristo dos Milagres.
Os tempos são outros, as Ilhas mais pequenas e rurais desertificam-se. Os idosos sobrevivem e os que não emigraram para os principais centros urbanos ou para o Estrangeiro penam “os olhos da cara” para manter a sua própria cultura e dignidade de cidadãos, cujo peso nas decisões dos poderes fragmentados, pouca voz se faz sentir.
É urgente afirmarmo-nos nos nossos valores e na fé que professamos, agora fustigada, por um consumismo embriagante, que nos amolece o corpo e a alma e que alguns grupelhos tentam dividir para fazer reinar esoterismos de visionários e espiritualidades de sarcófagos, tudo em nome das pós modernidade.
É preciso não nos envergonharmos da Cruz de Cristo, trazido nas caravelas de Quinhentos, e que hoje se retiram dos lugares públicos e da consciência de muitos que em nome da liberdade, não toleram os que procuram viver o Evangelho, nas suas dimensões, cultuais, catequéticas e sócio caritativas.
Precisamos de católicos que testemunhem na praça publica e nos assentos da política, a militância, que alguns querem engavetar no bolor dos museus, ou fazer regressar às catacumbas da Primitiva Cristandade, ou nos “goulagues” ou cortinas de bambu, ainda existentes.
Venha um novo espírito de Acção Católica, de cristãos, sacerdotes e leigos que não sejam bajuladores das esfinges dos poderes, nem os novos “turifurários” dos acomodados ao situacionismo de conveniência. Cristãos de testemunho do Caminho, Verdade e Vida! A Diocese de Angra precisa de Cristãos sem medo!
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