Paulo Nunes, conhecido como “Maurício”, alcunha que herdou do seu pai, assumiu há um mês uma das casas de pasto mais emblemáticas do centro da cidade de Angra do Heroísmo, a Casa Leão. A rua de Jesus, apesar de estar bem no coração da urbe, não é hoje uma das artérias mais movimentadas, nem onde o comércio tenha uma grande expressão. Contudo a Casa Leão foi sobrevivendo e “Maurício” assume sem medo que o objectivo é “ressuscitar o restaurante” e que as dificuldades são um “aliciante maior ao desafio”.
O responsável não esconde que vai precisar de muita dedicação para levar o barco a bom porto. “Quando aqui chegamos havia muito trabalho a fazer, a casa estava sem clientela, haviam problemas graves de higiene, pequenas obras a serem efectuadas e principalmente uma má fama acumulada por sucessivas más gestões”, destaca.
Aos poucos a vida vai voltando ao pequeno espaço, “os amigos e conhecidos foram os primeiros a vir”, depois “os amigos dos amigos, os conhecidos dos conhecidos”, e “acredito que de boca em boca vou fidelizando a clientela”, assegura Paulo Nunes.
Qualidade e tradicionalismo
A comida de tacho é a grande aposta de “Maurício”, muito pela vertente do convívio que tanto caracteriza as casas de pasto. “Temos métodos de confeccionar a comida bastante tradicionalistas, tentamos recuperar receitas bem regionais e apresentar com cuidado, mas sempre tentando recriar o ambiente caseiro com aquilo que se chama cozinha de tacho”, refere.
Ao almoço e jantar existem várias opções como “prato do dia”. Por sete euros, uma sopa, um prato de peixe ou de carne, bebida, pão e café, são um menu completo que tem agradado aos muitos clientes que vão redescobrindo a Casa Leão. Sempre com sugestões bem regionais como o cozido, os chicharros, boca negra, arroz de polvo, carne guisada, até ao arroz de marisco ou o bife da casa, a diversidade parece ser um dos mais convincentes argumentos da nova gerência.
Fora o prato do dia, a Casa Leão tem como especialidade o Bacalhau: “é um prato semelhantes ao bacalhau à Zé do Pipo, mas com um toque muito nosso. Esta especialidade da casa pode ser servida em qualquer altura, mas recomendo em reservas e refeições para serem efectuadas com calma”, argumenta.
Como destaque ainda as famosas tábuas de presunto e enchidos que prometem fazer as delícias de qualquer um. A Casa Leão pretende assumir-se como uma opção para festas e eventos: “temos capacidade para cerca de 40 pessoas sentadas e um ambiente acolhedor, isto aliado aos nossos pratos tem potencialidade para festas e jantares memoráveis, esperamos alguma adesão agora no Natal e no dia dos amigos que está a chegar em breve”, frisa.
Experiência acumulada
Paulo Nunes não está na restauração como principiante. As paredes forradas com diversos diplomas, com certificados de participação em inúmeros certames gastronómicos e com notícias na imprensa nacional, revelam a grande experiencia que o profissional já adquiriu com o passar do tempo. “Estive muitos anos em feiras gastronómicas, corri o país de Norte a Sul, aprendi com muitas pessoas e fui encontrando o meu próprio registo culinário. Hoje sinto-me preparado para este desafio da Casa Leão”, sublinha.
Na verdade, assentar arraial era algo que “Maurício” queira há muito tempo, mas só com esta oportunidade da casa de pasto é que isso que concretizou. “É uma nova etapa, aqui espero colocar em prática a experiencia acumulada ao longos dos anos e apresentar à mesa um pouco da influência gastronómica do país inteiro”, finaliza.
Fernando Pereira
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