“Negócios ao Pequeno-almoço” é a mais recente iniciativa da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH). Ontem, no Angra Garden Hotel, teve lugar a primeira dessas acções que têm como principal objectivo promover a discussão e o debate entre empresários associados da câmara, em torno de temáticas que possam ser ferramentas úteis para o desenvolvimento das empresas locais. “Nós pensamos que é importante nesta altura que os empresários se tornem mais unidos, esta iniciativa não rouba muito tempo útil aos associados e pode se tornar numa forma de discutir novos conceitos e soluções importantes para o retomo da economia regional”, destaca Sandro Paim, presidente da CCAH.
O “Pensamento Magro” foi o primeiro tema abordado ao Pequeno-almoço e foi escolhido porque, segundo o presidente da CCAH, “é importante nesta fase identificar, nos produtos e nos serviços, quais são as metodologias de tarefas que são excedentárias, com custos desnecessários, e encontrar soluções que melhorem a eficiência e eficácia”.
Os “Negócios ao Pequeno-almoço” vão ser desenvolvidos ao longo do próximo ano com uma periodicidade mensal, onde as temáticas serão escolhidas pelos associados ao longo mês. Sandro Paim mostrou-se surpreendido e agradado pela boa adesão dos empresários à primeira discussão, esperando que nas próximas “haja mais espaço ao debate de ideias”. De futuro o “pequeno-almoço” pode ser um espaço de tertúlia informal, onde a interacção entre empresários resulte “numa rede de contactos útil” ao dia-a-dia dos intervenientes.
A primeira temática
A expressão inglesa Lean Thinking, que poderá ser traduzida como “Pensamento Magro”, foi a primeira temática abordada nos “Negócios ao Pequeno-almoço”. Esta corrente de pensamento pretende ajudar as empresas a optimizar os seus recursos internos, reduzindo ao máximo os desperdícios, promovendo soluções de eficiência orgânica.
De acordo com os especialistas, as empresas apenas possuem cinco por cento de valor criado, apontando que o desperdício necessário pode ser minimizado e o desperdício puro necessita de ser eliminado. Nessa perspectiva, aconselham a adopção de medidas para melhorar até 10 por cento em eficiência, alegando que cerca de 40 por cento dos custos dos negócios são desperdícios.
Na sessão, João Rodrigues, orador de serviço, salientou que “estas medidas não significam despedimentos, mas acções de mobilização dos colaboradores para os valores da eficiência”. A regra passa pela qualidade, velocidade, baixo custo, mas, sobretudo, pela oferta do que o cliente quer numa abordagem centrada na sua satisfação. O Lean Thinking promove a competitividade assente na maior qualidade do produto, ao mais baixo custo, com entregas rápidas e pontuais.
O “Pensamento Magro” teve origem nos Estados Unidos, aquando a criação da primeira linha de montagem em séria na indústria automóvel, pela Ford, no seu mítico modelo T. Ainda dentro do sector automóvel, esta corrente ganhou expressão na Toyota, que como forma de ganhar competitividade precisou de optimizar ao máximos os recursos. Transformada em comunidade, o Lean Thinking pode ser aplicado aos diversos sectores e actividades económicas, com resultados práticos a médio prazo de grande importância na sustentação empresarial.
Fernando Pereira
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