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DIA INTERNACIONAL Maior consciência na problemática da violência contra as mulheres

Publicado na Quarta-Feira, dia 25 de Novembro de 2009, em Actualidade
O aumento no número de atendimentos presenciais e telefónicos junto da UMAR significa, não um crescimento da violência, mas antes uma “maior consciência” para a problemática, salienta Clarisse Canha, directora da associação nos Açores, no Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres.

 

 A delegação da ilha Terceira da UMAR– União de Mulheres Alternativa e Resposta, registou, ao longo do primeiro semestre deste ano, 133 atendimentos de apoio psicológico (107), jurídico (15) e social (11) a vítimas de violência, adicionando à população que serve 17 novas utentes.
Em São Miguel, nos dois gabinetes da UMAR – em Ponta Delgada e na Ribeira Grande – foram prestados, até 20 de Novembro deste ano, 134 atendimentos presenciais, 47 dos quais casos novos. Por telefone – através da Linha de Ajuda 808 200175 – a UMAR recebeu o contacto de 360 pessoas.
Estes são alguns dos dados que ressaltam no Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres assinalado hoje, com iniciativas em várias ilhas.
Contactada pel´ “a União”, a directora da UMAR-Açores, Clarisse Canha, refere que o aumento do número de atendimentos, em relação ao ano passado “não significa que haja mais situações de violência nos Açores”.
“Significa”, ressalva a responsável, “que há maior consciência, mais facilidade no atendimento, maior abertura”.
A directora referiu que “este dia não tem a ver apenas com a problemática da violência doméstica contra as mulheres, mas sim sobre a violência em diferentes facetas”.
O objectivo, disse ao nosso jornal, “é alertar a população para todas essas facetas, para a violência de género”.
Apesar de referir que não recebeu qualquer pedido de ajuda sobre a matéria, Clarisse explicou que existem determinados costumes e rituais, como a mutilação genital feminina, mais usual em países africanos que “podem permanecer na Região”, alertando também para esta realidade.
Em 2009 foi registado um homicídio no arquipélago, apontou, contra os cinco verificados em 2008 – “um ano negro”, classificou.
O S.O.S.Mulher, refere, tem como objectivo dar apoio às mulheres vítimas de violência doméstica, disponibilizando apoio psicológico, jurídico e social numa perspectiva de “cada caso é um caso”, sendo feito o encaminhamento para as entidades adequadas conforme as necessidades.

 

 

Pintura comunitária na Praça Velha

 

São diversas as actividades que a Rede de Apoio Integrado ao Cidadão em Exclusão Social/ Mulher em Risco promove hoje, com o apoio da Direcção Regional da Igualdade de Oportunidades
Na Praça Velha e na Praça Francisco Ornelas da Câmara serão colocados stands informativos, onde estarão presentes vários técnicos das entidades que prestam apoio social que distribuirão panfletos e esclarecerão dúvidas à população.
Nesse stand, explicam os promotores, estarão afixados cartazes das respectivas entidades e serão projectadas apresentações vídeo alusivas ao dia.
Uma das iniciativas consta da realização de uma “pintura comunitária”, numa estrutura com papel de cenário, onde os transeuntes poderão deixar uma mensagem ou desenho referentes a esta causa.
Amanhã, o seminário “Não fique na sombra contra a violência” assinala ainda a efeméride no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.
Decorrerão ainda actividades da Polícia de Segurança Pública em conjunto com o Gabinete de Apoio Psicológico e o Programa “(Com)Sentido” da Escola Secundária de Angra do Heroísmo (E.S.J.E.A.)
No dia 27, haverá uma sessão de esclarecimento, no auditório da E.S.J.E.A. dirigida a toda a comunidade escolar, bem como população geral, estando presentes profissionais de várias áreas, designadamente técnico(a)s de ajuda, polícia de segurança pública, representantes da escola e do Governo Regional dos Açores. Os objectivos desta sessão visam a sensibilização para a igualdade de género e a prevenção da violência contra a mulher.

 

16 dias de sensibilização

 

Em São Miguel, o projecto “Pela Mulher – Contra a violência” vai ser desenvolvido ao longo de 16 dias, promovendo actividades de sensibilização, como o mural que será feito hoje no largo da Matriz. Largo que recebe amanhã a encenação da peça de teatro “A exploração”.
Dia 27, às 14H30, decorrerá uma exposição e debate sobre violência doméstica na Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada.
A dois de Dezembro será exibido o filme “Dou-te Os Meus Olhos” na Biblioteca Pública de Ponta Delgada.
Até dia 10 de Dezembro, serão publicados artigos no jornal Açoriano Oriental, distribuídos panfletos em Ponta Delgada sobre a prostituição e de outros cartazes informativos sobre a educação e formação nas mulheres, além da produção, no dia 9 de Dezembro, de um filme sobre as diferenças de género.
As iniciativas culminam com uma peça de teatro sobre a violência doméstica no Largo da Matriz, às 10H00 e às 15H00, que conta com a parceria de um grupo de jovens da Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada.
Na horta o dia de hoje vai ser assinalado com o encontro “Violência no Namoro: família e relações afectivas”, a decorrer no auditório da Escola Profissional da Horta, numa organização em conjunto da UMAR e PSP.

 

26 mortes em 2009

 

Vinte e seis mulheres foram assassinadas desde o início do ano e 43 foram vítimas de tentativa de homicídio. A maioria foi morta pelos companheiros, maridos ou namorados, revelam dados do Observatório de Mulheres Assassinadas (UMAR).
A UMAR refere que houve ainda uma vítima mortal associada a este crime e 23 das 43 vítimas de tentativas de homicídio ficaram feridas.
Em 2008 tinham sido assassinadas 43 mulheres, o número mais alto desde 2004.
O número de mulheres assassinadas por aqueles que ainda eram companheiros, maridos e namorados constituem 64 por cento dos casos, sendo que 36 por cento foram vítimas dos parceiros de quem estavam já divorciadas ou separadas.
A maioria (52 por cento) das tentativas de homicídio foi igualmente praticada pelos maridos, companheiros, namorados, com quem a mulher ainda mantém relação de intimidade, enquanto 23 por cento dos casos foram cometidos por ex-maridos, ex-companheiros e ex-namorados.
Dos dados recolhidos até ao momento, não foram registadas mortes provocadas por outros membros do grupo familiar (filhos, pais e outros), ao contrário do que aconteceu em anos anteriores.
No entanto, nas tentativas de homicídio 20 por cento dos casos (nove) foram praticados por pais e filhos e cinco por cento por outros familiares.
A UMAR ressalva que, a exemplo do que aconteceu em anos anteriores, algumas destas situações podem vir a revelar-se fatais, na medida em que algumas vítimas não resistem aos ferimentos e acabam por morrer.

 

Agressores entre 36 e os 50 anos

 

Relativamente à idade do agressor, mais de metade (52 por cento) dos homicidas têm entre 36 e 50 anos, com grande incidência nos homens com mais de 50 anos, que representam 16 por cento dos casos. No grupo mais jovem, entre os 18 e os 23 anos, foram registados dois casos (oito por cento), o que difere da idade das vítimas, que são, percentualmente, mais jovens.
No que se refere à idade da vítima, o maior grupo situa-se na faixa etária entre os 36 e os 50 anos (52 por cento). “No entanto, e distintamente face aos agressores, o grupo seguinte é mais jovem, sendo que sete mulheres entre os 18 e os 23 anos foram assassinadas este ano, representando 24 por cento do total das vítimas mortais”, salienta a UMAR.
Destas, duas foram vítimas de namorados e outras duas de ex-namorados, “evidenciando a necessidade de uma maior atenção, mesmo no tipo de relação onde existe, em princípio, um menor compromisso entre as pessoas envolvidas na relação de intimidade”.
“Face aos dados de que dispomos dos anos anteriores, este número é, tanto do ponto de vista absoluto como relativo, um aumento importante para o qual devemos prestar mais atenção”, sublinha.
“Contrariamente a algumas vozes que, levianamente, afirmam que o que está em causa é as jovens ou as mulheres saberem dizer não e recusarem este tipo de relações, os dados do Observatório mostram que jovens e menos jovens são brutalmente assassinadas, mesmo quando se distanciaram, recusaram
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