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NO ARQUIPÉLAGO Duzentas pessoas infectadas com o HIV/SIDA

Publicado na Sábado, dia 28 de Novembro de 2009, em Actualidade
 

Na Região Açores conhecem-se cerca de 200 casos de pessoas infectadas com o vírus HIV/SIDA, com aproximadamente 80 casos igualmente conhecidos nas ilhas de São Miguel e Terceira.

 

Desde os últimos cálculos efectuados até 2008, de acordo com os dados da Direcção Regional da Saúde, de Janeiro até 31 de Julho surgiram 15 novos casos de infectados pelo HIV na região, sendo que quatro foram na Terceira e onze em São Miguel.

Até há pouco tempo, a Terceira era a ilha com maior número de infectados com o vírus da SIDA. No entanto, houve um crescimento acentuado na ilha de São Miguel de pessoas infectadas pela doença nos últimos dois anos.

Os primeiros casos de infectados com HIV começaram a surgir na Terceira no final da década de 80, quando ainda havia uma grande ignorância sobre o vírus em causa e se fazia o tratamento apenas com um medicamento.

Na altura, Alberto Rosa era o director clínico do hospital e viu-se obrigado a encarar o assunto que se ia agravando aos poucos.

Segundo o mesmo, não existe uma especialidade para tratar esta doença. Quando a SIDA chegou a medicina tratou-a como podia na época.

De acordo com as declarações do médico, a SIDA é uma doença crónica, como a Diabetes, em que os portadores dela não se podem esquecer dos cuidados que têm a ter. O doente infectado sabe que tem de evitar transmitir essa doença a outros e para isso deve cumprir as recomendações que lhe são dadas pelos médicos e seus orientadores.

Há minorias que tem comportamentos de risco e que se expõem a apanhar a doença com facilidade. Contudo, as pessoas não se interessam nem querem saber da doença. É necessário atraí-las e conquistá-las para as sessões e campanhas que se têm realizado.

Alberto Rosa acrescenta também que desde que os detentores de HIV aderiram à terapêutica HART fortemente activa não têm tido problemas oriundos da doença.

Pode-se viver muitos anos graças a um tratamento e tendo os cuidados necessários.

Só se conhecem na região dois casos de portadores de HIV que faleceram e isso deveu-se ao facto de estes terem abandonado o tratamento e o acompanhamento que tinham.

Existem também os exemplos de pessoas que não sobreviveram à doença pelo facto de esta ter sido diagnosticada muito tarde. Deste modo, nunca é demais apelar para que as pessoas façam os testes de diagnóstico que se encontram nos Centro de Saúde Regionais ou mesmo em rastreios de rua ou em escolas como se promove regularmente.

Os rastreios são feitos a milhares de pessoas pelas mais diversas razões. Sejam dadores de sangue, mulheres grávidas, pessoas que são sujeitas a cirurgias e muitas outras. Mesmo assim, ainda existem muitos que podem ser portadores da doença mas que não se sujeitam a fazer os normais rastreios.

Neste momento na ilha Terceira, o grupo que se encontra mais vulnerável a contrair a doença são mesmo os heterossexuais, onde as mulheres ocupam 40% dos infectados, seguidos dos toxicodependentes e por último os homossexuais que, quando houve o ímpeto da doença, esta minoria começou por ser a principal atingida, o que se veio alterando ao longo dos tempos.

Como prevenção para a contracção desta doença, Alberto Rosa aconselha que se faça exactamente o que se tem vindo a fazer até agora: “é preciso insistir com campanhas principalmente nas escolas, porque os jovens têm tendência para começar a sua actividade sexual cada vez mais cedo, mas não só. É preciso fazer rastreios e, acima de tudo, é preciso que as pessoas adiram a estes”, termina.

Comemorando-se o Dia Mundial da Luta Contra o HIV a 1 de Dezembro, a Direcção Regional da Saúde afirma que não vão assinalar este dia e defende que é mais importante realizar rastreios e fazer debates sobre a doença durante todo o ano como têm feito, por exemplo, nas escolas, do que realçar a importância dos cuidados a ter com a mesma apenas nesse dia.

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