E se este agravamento resulta, ainda, do contexto da crise internacional não posso deixar de constatar, também, que para lá dos efeitos de conjuntura a crise tem raízes mais profundas e que os seus efeitos sobre a economia regional e o bem estar social e económico dos cidadãos se relacionam directamente com um modelo de desenvolvimento errado, social e economicamente injusto, reprodutor de desigualdades e fortemente depredador dos recursos naturais e, por conseguinte, insustentável.
O grave e dramático pesadelo do desemprego, da precariedade, dos salários e outras prestações pecuniárias em atraso, das ameaças de despedimento e do lay-off dizem bem quanto à insuficiência e ineficácia das medidas anti-crise postas em prática quer na Região, quer na República e à urgente necessidade de adoptar um paradigma de desenvolvimento devidamente adequado à realidade regional.
Ainda que tardias e insuficientes, as intervenções realizadas pelo Governo Regional na SINAGA e na Verdegolf são positivas, lamento é a inércia do executivo quanto ao que se verifica na unidade fabril da COFACO, no Faial. Que o seu anunciado de encerramento e da consequente deslocalização das trabalhadoras para a fábrica do Pico, não seja alvo de medidas que contrariem a decisão da empresa, afinal há responsabilidades empresariais que decorrem do acesso aos fundos públicos para o financiamento da actividade económica privada.
A intervenção pública e consequente afastamento das administrações privadas das empresas SINAGA e Verdegolf e a sua substituição por administrações públicas comprovam que as teses de matriz neoliberal advogadas por alguns teólogos do mercado da nossa ágora estão esgotadas e falidas pois, como se pode apurar, a simples substituição das administrações constituíram-se, desde logo, como um factor determinante para a tão desejada viabilidade económica das duas empresas.
Quanto ao encerramento da fábrica da COFACO, na ilha do Faial, importa dizer que, por um lado a legitimidade que decorre desta decisão empresarial, na qual o Governo Regional se tem escudado para não intervir, demonstra bem a iniquidade do Código Laboral que está em vigor mas, também, o prejuízo que resulta quando se aplicam linearmente normativos e modelos à realidade insular e arquipelágica açoriana, por outro lado e tendo em consideração os avultados financiamentos públicos que foram afectos à COFACO, nomeadamente às suas instalações no Faial, e os erros de gestão patrimonial e de desinvestimento traduzidos no falta de manutenção e de modernização daquela unidade fabril são fundamento suficiente para que a Região intervenha evitando, assim, o despedimento de dezenas de trabalhadoras e o aumento da fragilidade da economia faialense.
Mantenha-se sempre actualizado com os artigos deste colunista
Vamos à Senhora dos Milagres
Francisco Dolores
A última festa
Fernando Marta
A morte das vontades
Júlio Ávila