Não era extraordinariamente belo, muito menos teria paleio, mas o mulherio adorava o toiro saltitão.
O “64” danava-se para trepar muros e varandas altas, provocando o delírio no público feminino das famosas toiradas à corda terceirenses.
E, segundo rezam os testemunhos inseridos no livro “O Toiro das Mulheres”, da autoria de Liduino Borba, algumas senhoras chegaram a ser “beijadas” pelo animal, sem sinais de queixa mútua.
Enfim, o “64” era o verdadeiro Don Juan dos nossos arraiais, não dando a mínima hipótese de concorrência aos pseudo-engatatões (o pente na algibeira traseira ficava a matar…) que quase apanham um torcicolo por andarem sempre a mirar as moças mais atraentes em cima do muro.
Mesmo não sendo considerado bravo, os seus saltos espectaculares disparavam o cachet por actuação, valendo o dobro de um toiro “puro”.
Fazendo uma analogia com o título da revista de Hugh Hefner, depressa se conclui que o “64” representava o “playbull” da Terceira.
Uma verdadeira estrela, está bom de ver, com direito a livro, DVD, passodobles e referências inúmeras na comunicação social e internet.
Com uma legião de fãs sempre atrás, o toiro da ganaderia de Humberto Filipe possuía um estatuto semelhante ao das vacas na Índia. Com mais proveito, presumo, e à corda da paixão.
João Rocha
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