A União - Jornal Online

Sexta-Feira, dia 03 de Setembro de 2010
tel. 295 214 062 . 295 214 275 fax: 295 214 030 emails: auniao@auniao.com . publicidade@auniao.com

NO PORTO DE PESCAS DO PORTO JUDEU Mau estado da grua provoca incidente

Publicado na Terça-Feira, dia 27 de Julho de 2010, em Actualidade
 

A embarcação “Barreira”, de João Gorgita Gonçalves, ficou parcialmente danificada quando, na semana passada, o cabo da grua do porto do Porto Judeu rebentou e caiu sobre a lancha de pesca e, por pouco, não vitimou o seu filho que o acompanhava na pescaria.

 

O prejuízo está orçado em cerca de 500 euros, e, segundo o pescador visado, cabe agora à Junta de Freguesia arcar com a despesa, uma vez que, revela, já havia alertado sobre o perigo de degradação daquele equipamento utilizado para a elevação de barcos e cargas pesadas.

João Gorgita Gonçalves não ganhou para o susto no momento em que, após o regresso de uma noite de pescaria, na companhia de um dos seus filhos, viu o cabo da grua do porto de pesca do Porto Judeu, rebentar e cair sobre a sua embarcação de nome “Barreira”.

“Mais grave do que a destruição parcial da embarcação, foi ver o meu filho em perigo”, conta em declarações ao jornal “a União”.

O pescador lança farpas à Junta de Freguesia pela sua aparente falta de resolução sobre um assunto de “máxima importância”, afirmando que, há sensivelmente dois anos, alertou a entidade sobre o perigo do actual estado de degradação do cabo e de todo aquele equipamento utilizado diariamente pelos pescadores para a elevação de barcos e cargas pesadas.

“Expusemos o caso numa reunião entre os elementos da Comissão de Pescadores e o representante da Junta”, sublinha João Gorgita Gonçalves, acrescentando que “a nova grua deveria ter sido colocada em Maio de 2009”.

“ [A grua] Está há vários meses na ilha e ainda não ocupou o seu devido lugar”, protesta.

Segundo o pescador, os danos materiais da “Barreira” levaram do seu próprio bolso cerca de 500 euros, um montante que reclama agora à Junta de Freguesia, depois de alguns dias sem poder ir ao mar devido aos trabalhos de conserto.

“A embarcação está pronta. E peço uma indemnização dos gastos que tive na sua reparação”, prontifica.

João Gorgita Gonçalves revela ainda que poderá apresentar queixa junto da Polícia Marítima e que, sublinha, mesmo sabendo de antemão do silêncio de outros pescadores que sofreram com situações idênticas, os quais diz não terem recebido, portanto, qualquer verba para amenizar os gastos, por parte das entidades responsáveis, entende-se no direito de reclamar.

As críticas do pescador estendem-se ao estado do cais do porto. Junto às escadas principais de acesso ao mar, revela, encontra-se um buraco causado pela deslocação de duas grandes pedras, as quais “prejudicam a recolha das embarcações durante a maré baixa”.

“A acção do mar provocou um buraco no cimento que permite ver o alicerce da grua. O cais precisa de remodelação urgente. Nós já alertámos a Junta”, remata.

 

 

Colocação da nova grua atrasada um ano

 

Contactado pelo nosso jornal, o presidente da Junta de Freguesia do Porto Judeu, João Tavares, esclarece que a nova grua do porto de pescas já está adjudicada e que, em breve, a Tecnovia deverá avançar com a sua colocação.

Em causa, segundo o autarca, está o atraso do concurso público, por parte da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (SRAM), sendo que, por isso, o prazo de instalação do referido equipamento portuário foi alterado de Maio do ano passado para até ao final de 2010.

“A Junta [do Porto Judeu] já tinha conhecimento do estado de degradação da grua, antes do incidente, e já havia alertado oficialmente as entidades competentes”, declara.  

Contudo, acrescenta, para além da acção da Junta, é da competência da Comissão de Pescadores do Porto Judeu, constituída por três elementos, um dos quais o pescador visado, a supervisão das condições físicas do dito local.

“No dia do incidente, estranhámos o facto de o novo cabo ainda não estar no seu devido lugar, uma substituição que já havia sido falada e decidida”, diz.

Questionado sobre as prioridades e os critérios dados ao plano de trabalhos da Junta, tendo em conta a recente inauguração das obras de consolidação e protecção da falésia sobranceira ao porto da freguesia, João Tavares garante que “foi dada toda a atenção e prioridade” às condições de trabalho dos pescadores locais. “Prova disso é que há cinco anos atrás a mesma grua nem sequer funcionava. Aquela [falésia] foi uma obra necessária e, ao todo, durante esse espaço de tempo, já investimos cerca de 1 milhão de euros no porto de pesca”, frisa.

Sem desvalorizar o incidente que destruiu parte da embarcação “Barreira”, de João Gorgita Gonçalves, o responsável pela Junta adianta que o sub-secretário regional das Pescas foi informado do episódio, referindo tratar-se do representante da entidade competente para dar resposta sobre a possível indemnização pelos danos causados a esse pescador.

“Perguntámos se haveria apoio para esse género de incidentes. Ainda não sabemos. No entanto, já aconteceu situações parecidas com outros pescadores – felizmente sem vitimar ninguém –, e nenhum deles recebeu qualquer compensação financeira”, diz.

Já sobre o rombo no cais do porto de pesca, causado pelas más condições climáticas verificadas no início deste ano, o presidente avança que, segundo a informação que dispõe, a obra de reconstrução “já foi adjudicada”.

Em suma, sabendo da importância de boas condições físicas daquela infra-estrutura para a actividade piscatória e da segurança dos pescadores, a autarquia do Porto Judeu sugeriu aos mesmos a suspensão temporária do porto, até concretização das obras previstas, apresentando como alternativas o Porto da Praia ou o Porto Martins.

“Rejeitaram essa hipótese”, conclui.

 

 

 

  

  

Sónia Bettencourt

 

 

 

sonia@auniao.com  

 

Ver todas as notícias RSS Mantenha-se sempre actualizado com as notícias deste tema
Aníbal Pires Deixa choverDeixa choverDeixa chover
Aníbal Pires Aníbal Pires
Ler outros colunistas
Sondagem
Fez-se justiça no processo Casa Pia?