A União - Jornal Online

Segunda-Feira, dia 06 de Setembro de 2010
tel. 295 214 062 . 295 214 275 fax: 295 214 030 emails: auniao@auniao.com . publicidade@auniao.com

Entre o acessório e o essencial

Publicado na Sexta-Feira, dia 30 de Julho de 2010, por Carla Bretão
 

Dez horas da manhã no parlamento açoriano. Entre chamada e leitura de correspondência, mal se imaginaria que PS, PCP e PP preparavam um protesto contra o Grupo Parlamentar do PSD. A protestação alicerçou-se no envio para o Ministério Público do relatório da Inspecção-Geral de Finanças relativa ao processo de construção dos malfadados navios Atlântida e Anticiclone. Não estava em causa a legitimidade do envio, diziam, apenas queriam ter sido avisados. Engraçado! Num trabalho complexo de averiguação deste atrapalhado processo, chega-se ao final das contas sem a maioria querer concluir nada e ainda se faz um protesto contra o PSD, por ter enviado um determinado documento para averiguações. Não se tratando, afinal, de um documento qualquer, mas sim de um relatório que apurou a existência de um “acordo de cavalheiros” entre o Governo Regional e os Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Ou seja, acordo havia para que estes baixassem o preço inicial dos navios, sendo compensados, posteriormente, com contratos adicionais que recolocariam o preço nos valores iniciais. Grave?! Não, Gravíssimo! Perante isto, só nos resta a perplexidade perante aqueles que não sabem destrinçar o acessório do essencial. Pretendiam que ficasse por isso mesmo?! Parece que sim. O PSD, qual menino mau e mal comportado, não podia enviar para averiguações algo de escandaloso que sugere “acordos” no mínimo estranhos?!! O PSD, maléfico, não poderia fazer isso!!! Mau…Mau…Mau…

 

 

Todos temos o direito de saber, exactamente, o que se passou e como se passou neste malogrado processo. O direito de saber onde se gastaram vários milhões do dinheiro público. Tal como dizia alguém, num editorial de há poucos dias, de um dos nossos órgãos de comunicação social «o “deixar andar” é quase uma instituição nacional». Pois é, quem se rebele contra ela tem logo dedo apontado, protesto acirrado e é apelido de birrento… Já estava tudo certo: era para “deixar andar”…

 

Para além disso, o aviso já vinha de longe, se tal se justificasse iríamos até às últimas consequências. Não estávamos a fazer “bluff”. Sem esquecer, por exemplo, que dos 24 nomes propostos, ligados ao Estaleiro e à Região, para audição foram aprovados pelo PS apenas 10…. Costuma-se dizer que quem não deve não teme…

 

Deixando o acessório, para centrar o essencial, tudo tem um limite e não se pode, de modo algum, “deixar andar”, a bem do mandato que os eleitores nos concederam, a bem da fiscalização que nos compete fazer e da sequência que devemos dar aos assuntos perante a gravidade dos factos. Com os protestos podemos bem, pela tranquilidade do dever cumprido. Tudo o resto são “faits-divers”!

 

 

 

carla.bretao.martins@gmail.com

 

Ver todas as notícias RSS Mantenha-se sempre actualizado com os artigos deste colunista
Carlos Alberto Alves Concentração no AliançaConcentração no AliançaConcentração no Aliança
Carlos Alberto Alves Carlos Alberto Alves
Ler outros colunistas
Sondagem
Fez-se justiça no processo Casa Pia?