A perspectiva de uma nova Constituição portuguesa teve reflexos nos Açores. Francisco Machado de Faria e Maia publicou logo uma apreciação crítica do projecto constitucional propondo que ele previsse uma organização administrativa especial para o arquipélago com «a máxima autonomia financeira e a possível autonomia legislativa, compatível com o seu adiantamento e as suas outras condições». Também Aristides da Mota defendeu que a futura Constituição incluísse um artigo garantindo aos distritos açorianos a descentralização administrativa e afectando-lhes «todos os réditos públicos neles cobrados e resultantes de actividades neles exercidas». Entrementes, decorriam em Ponta Delgada diligências para obter apoio governamental a projectos turísticos na ilha de São Miguel. Para secundar essas diligências, que também reivindicavam uma maior descentralização administrativa, surgiu a ideia de pressionar o Governo – renitente em atendê-las – mobilizando massas populares, como era (fora…) habitual em Lisboa… Em 10 de Novembro de 1932 uma primeira manifestação pública juntava já cerca de 6000 pessoas e 200 automóveis. Em 3 de Janeiro seguinte outra manifestação acompanhava o embarque do governador civil que ia apresentar ao Governo as petições do distrito de Ponta Delgada. Num artigo de 25 de Fevereiro, Aristides da Mota criticava o projecto constitucional, apelando «ao escol da nova geração» para «explicar ao público o caminho a seguir para significar aos poderes centrais que a causa da autonomia (…) não está disposta a deixar-se asfixiar». Entretanto, em Lisboa, o governador demitia-se por não ver acolhidas as pretensões do distrito – notícia recebida com emoção em Ponta Delgada onde, a partir de 26 de Fevereiro, a agitação cresceu com uma greve de estivadores. A 27 eram já elementos da polícia a serem desarmados por populares. A 28, perante um assalto aos Correios e o temor de acontecer o mesmo a outras repartições públicas, interveio o exército com um camião transportando uma metralhadora. E com ela se acabaria por disparar contra os manifestantes, que dispersaram deixando dois mortos e vários feridos.
Esta intervenção musculada arrefeceu os ânimos – da rua e não só. E a nova Constituição foi aprovada no plebiscito de 19 de Março, sem nada prever de especial para os Açores. Mas Ponta Delgada não ficara esquecida, nem sequer mal-amada – talvez, porém, temida... O facto é que, em 1937, a 2ª República reiniciava os trabalhos, parados havia muito, de conclusão do molhe no seu porto (começado em 1860!).
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