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NOVO PADRE HORÁCIO DUTRA "Entrega e disponibilidade para servir qualquer pessoa"

Publicado na Sábado, dia 18 de Junho de 2011, em Actualidade
É o único a ser ordenado padre este ano. Horácio Dutra, 29 anos, natural de Santa Cruz das Ribeiras, ilha do Pico, oficializa, hoje à tarde, na Sé de Angra, a sua vocação sacerdotal que diz ser de “entrega e disponibilidade total para servir qualquer pessoa”. O novo presbítero, que dá catequese de adultos a perto de 90 pessoas em São Miguel, quer começar pelos jovens.Horácio Dutra, 29 anos, natural da natural da freguesia de Santa Cruz das Ribeiras, ilha do Pico, representa o único padre ordenado este ano na Diocese de Angra. As cerimónias, que vão decorrer hoje na Sé de Angra, a partir das 15H00, irão igualmente administrar o Ministério de Acólitos a seis jovens, três da ilha Terceira: Júlio Rocha (Agualva), Luís Silva (S. Mateus da Calheta) e Tiago Tédeu (Santa Barbara), e três de São Miguel: Carlos Simas (Água d'Alto), Filipe Leite (Ponta Garça) e Nelson Vieira (Rabo de Peixe).
À pergunta “que significa a ordenação?” a resposta foi clara: “entrega e total disponibilidade para servir qualquer pessoa”.
O diácono explica tratar-se de uma “entrega de amor” que, consigo, começou na sua participação em eventos religiosos juvenis: “decidi ser padre aos 20 anos”, uma decisão que consegue precisar, não só tempo, como no espaço: “tomei a decisão num retiro de jovens, aqui na ilha Terceira, num Shalom”.
Reconhecendo que, cada caso é um caso, que cada padre tem a sua história e o seu modo de encarar e viver pessoais, Horácio Dutra precisa que “existe toda uma construção, um caminho” que percorreu para chegar ao momento de hoje.
Nesse momento, há 9 anos, ainda se recorda do porquê da sua decisão: “foi sobretudo a simplicidade da mensagem”.

É preciso “abanar o que existe”

É por isso que o diácono refere que a sua actuação vai pautar-se, sobretudo, pela mobilização das populações mais novas: “primeiro porque sinto-me jovem e depois porque, de cada vez que se fala, que a juventude está perdida, eu digo que eles não estão perdidos, só não foram ainda encontrados”.
“Cada vez que se fala na crise de vocações é uma mensagem que se passa, de forma negativa, para as crianças e para os jovens”, critica, daí que não hesite em referir que, ao nível diocesano, “falta uma pastoral diferente ao nível juvenil. É preciso abanar o sistema, abanar o que existe”.
O seu objectivo será pois o de: “fazer os jovens olhar de forma apaixonada a vida”, porque, reconhece, “há um desencanto, uma apatia generalizada”.
Historicamente, aponta, o país apresenta razões para que os filhos e netos da Revolução dos Cravos, do 25 de Abril de ´74, estejam hoje desmobilizados. É por essa razão que fala na necessidade de uma “revolução interior”, de “uma luta pela procura de seus próprios objectivos e ambições”.

Ser Padre é ser pai e mãe

Horácio Dutra defende que, antes de mais, a orientação católica juvenil deve ser feita pelo mais básico: “o primeiro caminho é ler o Evangelho e depois procurar vivê-lo”.
Nesse processo, conta, o sacerdote terá de desempenhar um papel ma/paternal: “o padre, hoje, tem de ser pai e mãe – pai porque orienta e mãe porque acolhe para perceber o sentir e o ser jovem”.
A sua ligação aos jovens é extensível aos adultos.
O diácono, de forma algo inédita, assumiu, ao longo do último ano, as funções de adjunto nas paróquias de Santo António e Santa Bárbara, em São Miguel, além de leccionar a 374 alunos na Escola 2,3 de Capelas.
Mas será porventura a sua “catequese de adultos”, que reúne duas turmas, uma de 45 e outra de 42 pessoas, em São Miguel, que gostaria de ver disseminada nos próximos cinco anos por todas as ilhas, ao nível, sugere, das Ouvidorias.
De quinze em quinze dias, às sextas-feiras, Horácio Dutra refere que a sua “catequese de adultos” acaba por ser “uma forma de as pessoas darem, eles próprios, um testemunho aos seus filhos da sua participação na catequese, uma forma de passarem a palavra e de a viverem”.
Mais do que repetir os rituais de catequese convencionais ensinados na juventude, esse acaba por ser um espaço de “partilha”, de problematização da igreja, da sociedade, do mundo. “Existem adultos”, conta “que se dizem ateus e que vão à catequese de adultos, e temos casos de pessoas que dizem que agora estão a aprender e a apreciar melhor os ensinamentos, do que quando eram crianças e jovens”.
 
Libertar padres das burocracias

Porque considera que a Igreja deve ser de actuação, de “acção”, Horácio Dutra é peremptório ao referir que é preciso “libertar os padres das burocracias. Há muita burocracia dentro da Igreja”.
Mais, defende: “é preciso fazer com que os padres tenham um olhar humilde para as pessoas e de não terem medo de descer do seu pedestal, do seu status”.
“Temos que voltar a Igreja para as pessoas, olhar para o Vaticano II, não como mensagem de papel, mas como mensagem viva”.

O facto de ser o único diácono a ser ordenado este ano é encarado pelo próprio com um carácter “especial”: “é, de alguma forma, especial, mas aumenta a exigência, uma vez que se fossemos mais o trabalho e o testemunho que seria levado a cabo por todos seria mais leve e partilhado”.

Humberta Augusto (texto e foto)

haugusto@auniao.com

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