O retiro de preparação para o presbiterado, orientado pelo Padre Gregório Rocha, director espiritual do Seminário de Angra, terminou ontem depois de uma semana entregue à oração e reflexão acerca da resposta afirmativa ao chamamento de Deus. Um momento que antecede o dia do compromisso de cinco futuros sacerdotes dos quais três da ilha Terceira – Luís Silva (São Mateus); Tiago Tedéu (Santa Bárbara); e Júlio Rocha (Agualva) – e dois de São Miguel – Nelson Vieira (Rabo de Peixe) e Carlos Simas (Vila Franca do Campo), este último ausente por razões de saúde.
Para já, o dia de amanhã, domingo, terá no centro das atenções a ordenação sacerdotal dos jovens da Terceira, na Sé, às 18h00, sendo que os seus colegas serão ordenados na sua terra natal.
As missas novas estão marcadas para o próximo mês de Julho, cada uma celebrada na sua paróquia de origem.
Assim, passados seis ou nove anos de formação humana, intelectual, espiritual e pastoral, conforme o estado de frequência no ensino secundário, a pertença ao sacerdócio é o culminar de uma caminhada ou de quase uma vida passada no Seminário Episcopal de Angra ou, por outra designação, “A Casa” como os próprios a referem.
Consigo levam não só elementos de sabedoria teológica mas também de “espírito de fraternidade” e de “exemplos de vida”. “E grandes amizades”, acrescenta Júlio Rocha, à conversa com o nosso jornal, partilhando da opinião do seu colega Luís Silva. Este sustenta a sua ideia falando da existência de “microculturas”. “Ali [no Seminário] há contacto com outras microculturas de colegas oriundos de outras ilhas ou até da mesma”, considera.
Enquanto Tiago Tedéu coloca em destaque o sentimento de comunidade, Nelson Vieira refere a saudade que começa já a manifestar-se no seio do grupo.
O seu caminho unido até então passará a conhecer outras trajectórias. Desconhecem ainda a sua futura paróquia, e, portanto, algures de Santa Maria ao Corvo encontra-se a sua nova casa, vida e aventura que por eles aguarda.
“Levamos bastantes expectativas. Acredito que temos bagagem suficiente e espírito de iniciativa. O importante não é deixar marca pessoal mas ir ao encontro das necessidades verificadas nas nossas comunidades”, adianta Luís Silva.
EXEMPLOS CRISTÃOS
A proximidade com as pessoas e os exemplos cristãos são pontos considerados fundamentais para os quatro futuros presbíteros.
“Dizem que palavras leva-as o vento. O exemplo marca a palavra Daquele que anunciamos”, defende Tiago Tedéu ao responder à pergunta acerca da Igreja face às crises – financeira e de valores – do mundo actual.
“Não temos fórmula mágica para resolver situações de crise de valores e conjunturas financeiras. Vamos implementar a palavra de Deus partindo da Fé”, acrescenta Luís Silva.
Por seu turno, Nelson Vieira diz que não haver preocupação em “encher igrejas de novos ‘clientes’” mas sim “tentar ajudar as pessoas a sair desta tumba de dor”.
Ainda na linha da pergunta sobre o contacto “personalizado” do sacerdote com os paroquianos e com todos os outros fiéis, Júlio Rocha considera importante a “forma de acolhimento”. “É preciso abertura e conhecer as pessoas pelo seu nome”, afirma.
Questionados sobre qual seria o seu conselho dado a um jovem que manifestasse dúvidas quanto a ingressar no seminário e a dedicar-se de corpo de alma à vida eclesiástica, as respostas são peremptórias. “Vale a pena”, garante Luís Silva enquanto Júlio Rocha diz que “Deus é que nos leva. É preciso ter essa noção”.
Enquanto Tiago Tedéu refere o que entende por arriscar e por optar por um percurso diferente do tradicional como é o caso do casamento, Nelson Vieira coloca a tónica nas práticas de conhecimento e sabedoria gerais.
“O seminário é a única instituição do país que consegue dar uma formação completa”, remata.
Sónia Bettencourt
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